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segunda-feira, dezembro 26, 2005

O Adeus

Há quase dois anos atrás, um jovem estudante de artes marciais adotou uma iniciativa: publicar em um blog as lições de vida que o Karate lhe proporcionasse, partilhando assim seu aprendizado com aqueles que lhe fossem próximos, ainda que virtualmente. Neste último fim-de-semana, este mesmo aprendiz aprendeu duas importantes lições.

A primeira delas, que aliás já deveria ter sido aprendida desde o começo, consiste do seguinte: somente aqueles que foram postos à prova do combate podem compreender o significado do bushido, em toda a sua amplitude. Só compreendem o valor do caminho do guerreiro aqueles que treinaram até o fim de suas forças físicas, de forma que sobre apenas sua força espiritual para levá-los adiante. Somente aqueles que suportaram horas de treino e meditação, e chegaram ao fim para contar a história, podem dizer qual a verdadeira lição das artes marciais. Por isso, talvez, não tenha surtido tanto efeito verbalizar este aprendizado. Não basta conhecer o caminho: é necessário trilhá-lo.

A segunda lição diz algo menos profundo, mas não menos pungente: de todas as armas que o ser humano pode dispor, a palavra pode ser a mais destrutiva delas. De todas as coisas que não sou obrigado a ouvir, a última e definitiva delas foi dita, sobre a minha iniciativa de manter um blog no ar. Por este motivo, estou me despedindo do “Aprendiz de Samurai”. Acumulei muitas coisas boas neste breve tempo, mas agora é hora de abandonar esta fase e partir para uma nova etapa em meu aprendizado. O site continuará no ar por algum tempo, para aqueles que porventura desejem deixar suas últimas palavras. Após isso, seremos apenas eu e meu caminho, outra vez.

Aos amigos que acumulei neste período, por compartilharem suas opiniões e me ajudarem a melhorar o mundo: Arigato Gosaimashita.

Aos inimigos, que me mostraram a que ponto pode chegar a pobreza de espírito, e me permitiram aprender a lidar com as misérias da pequenez humana: Arigato Gosaimashita.

A todos aqueles que visitaram e visitam este site, que porventura possam ter levado daqui algo proveitoso para suas vidas: Arigato Gosaimashita.

E ao amigo que ridicularizou minha iniciativa de escrever um blog, por dar início a uma nova fase na minha vida: Arigato Gosaimashita.

Faço minhas agora as palavras de Bilbo Baggins: “I regret to announce that this is the end. I bid you all a very fond farewell.”


Tsugi Made,

Sayonara

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Mas será que alguém pode me explicar o que diabos anda acontecendo com o cinema nacional? Depois de fazerem o filme sobre a vida de Zezé Di Camargo & Luciano – mesmo havendo duplas sertanejas mais expressivas no cenário nacional – quem é a próxima estrela a virar filme? Pasmem: Maria Bethânia! Pelo menos é o que dizem alguns outdoors que vi hoje de manhã, vindo para o trabalho. “Depois do show, o filme: Maria Bethânia – Música é Perfume”. Isto me fez imaginar quem serão as próximas estrelas em evidência a ir para as telas do cinema. Confiram os próximos títulos a serem produzidos pelo cinema nacional, segundo minhas previsões:

“Sonho de Ícaro: A vida de Biafra”;
“Aquela nuvem que passa”, com Gilliard;
“Catanacatraca: As Aventuras de Naim”;
“Meu amigo Charlie Brown”, com Benito de Paula;
“Alta Velocidade”, com Roberto Puppo Moreno;

Enquanto isso, a Sony Pictures acaba de anunciar que a espera pelo lançamento do filme do meu herói favorito será longa. A estréia do longa-metragem do “Motoqueiro Fantasma” está prevista para 16 de fevereiro de 2007! Enquanto isso, vale a pena visitar o site oficial do filme, e conferir “The Rider Revealed”, o primeiro teaser oficial do filme. E pra quem espera um filme meia-boca, é melhor rever os seus conceitos: o ator principal é ninguém menos do que Nicholas Cage!

terça-feira, dezembro 20, 2005

Flávio, esta é para você:

“Vocês sabiam que o Mário e o Luigi estão freqüentando o psicólogo? É que eles estão passando por uma fase difícil...”.

segunda-feira, dezembro 19, 2005

Insamnia – Elementos de uma loucura
Parte II – A traição das máquinas

“Funciona! Droga... Vai logo!! Máquina do caramba...”

Todo computador parece funcionar com velocidade inversamente proporcional à urgência e importância do trabalho a ser executado nele. Justo quando alguém do alto escalão faz o pedido de uma tarefa extremamente urgente, o microcomputador se mostra o mais temperamental dos utensílios modernos. Uma tentativa de alternar entre dois programas faz com que a imagem de ambos se misture na tela, não sendo possível utilizar nenhum deles. Tento minimizar qualquer um dos programas, e nada acontece. Tento clicar em um ícone qualquer: o micro não responde. Tento abrir o menu Iniciar: o micro faz de conta que não é com ele.

Vendo que o mouse não surte efeito, apelo para o teclado. Teclo um Alt+F4 para tentar fechar o programa, e nada de resposta. Tento de novo, e tudo continua na mesma. Por nervosismo, martelo o Alt+F4 repetidas vezes, e ainda assim nada. De repente, o micro resolve obedecer todos os comandos que recebeu durante sua hibernação, e sai fechando tudo quanto é programa que encontra pela frente. Respiro fundo para resistir à tentação de esmurrar a CPU. Abro de novo um programa que ele não deveria ter fechado, e qual é a resposta?

“Este aplicativo executou uma operação ilegal e será terminado.”

Clico no “OK” para encerrar o assunto... E quem disse que o raio do botão se mexe?? Tento de tudo novamente, e mais uma vez a máquina faz descaso dos meus comandos. Desta vez, nem o Caps Lock e o Num Lock piscam quando são acionados. Não resta alternativa senão pressionar o botão de boot – sim, o botão de boot, já que nem o Ctrl+Alt+Del o micro não obedece mais. A tela pisca, o micro treme, e ele ainda tem a cara de pau de retornar com a seguinte mensagem:

“VOCÊ não desligou o micro corretamente. Como VOCÊ é o culpado e não soube utilizar a opção ‘desligar’ do menu Iniciar, vou castigá-lo com vinte minutos de scandisk.”

Nada poderia ser mais apropriado para o momento em que o diretor se aproxima da minha mesa, com a pergunta: “E aí, o que evoluímos naquela tarefa”? Ele não parece muito contente ao saber que não houve evolução na última hora. É o micro quem resolve não trabalhar, mas sou EU quem leva a culpa e sofre as conseqüências.

Saio do trabalho de cabeça quente, pensando em fazer algo para aliviar a tensão. De qualquer forma, vou precisar sacar alguns trocados para o que quer que eu decida fazer. Passo no caixa eletrônico, insiro cartão, digito o valor desejado e a senha. “Aguarde a contagem das cédulas”, diz o caixa eletrônico. A fila atrás de mim começa a se avolumar, e a mensagem não muda. As pessoas começam a ficar impacientes, e nada do dinheiro. Vou ficando numa situação cada vez mais constrangedora, e nada da máquina se manifestar! Muitos preciosos minutos depois...

“Não foi possível completar a operação. Por favor entre em contato com a sua agência e informe o código S0C7”.

Ah, quer saber? Que se danem os computadores e os caixas eletrônicos! Hoje eles decidiram fazer complô para acabar com o meu humor. Mas eu já sei como resolver a situação: eu preciso de um pouco de diversão. Uma diversão simples, inofensiva, algo que me remeta à minha adolescência: uma partida de fliperama. Sim, não há stress que um bom joguinho não possa aliviar. O que pode dar errado em algo tão inofensivo?

Maldito fliperama, engoliu a minha ficha...

sexta-feira, dezembro 16, 2005

Insamnia – Elementos de uma loucura
(O provável início de uma série)

Nove e meia da manhã, atrasado para o trabalho. Os termômetros marcam vinte e cinco graus já à essa hora, indicando que a temperatura vai passar dos trinta e sete mais tarde. As primeiras ondas de calor começam a se insinuar a partir do asfalto. O trânsito anda e para. Anda. E para. Anda... E para novamente. Ninguém parece ter consciência de que, em pleno horário de rush, é melhor agilizar pra não formar fila. Todos seguem naquele ritmo de gado indo para o abate.

Muita gasolina é gasta no trânsito parado, porém mais do que ela, gasta-se a embreagem do carro. E haja embreagem para tanta primeira-e-ponto-morto. Mas por que diabos ninguém consegue andar por mais do que três segundos? Tento mudar minha rota para escapar do trânsito, mas todos os caminhos levam ao caos. Quer seja pelo excesso de carros, por um acidente ou por mera incompetência dos que vão à frente.

De repente, algo acontece e o trânsito começa (apenas começa!) a fluir. Oh, ali está a rua onde eu preciso entrar, bem à direita. Dou seta, mas o motorista à direita insiste em não dar passagem. Acelero para ficar à frente dele, mas ele acelera junto para emparelhar comigo. Eu buzino que preciso entrar, e ele não quer nem saber. A rua chega e eu PRECISO entrar. Tento entrar à força, mas o motorista ao lado só me fecha e buzina com insistência. Não posso deixar a rua passar, mas o motorista vindo atrás também não me deixa parar. Sou empurrado para a frente, e obrigado a perder a minha entrada.

O trânsito empaca de novo, e um manoboy passa esbarrando no meu retrovisor. Abro o vidro para arrumar o espelho que ficou invertido, e ainda consigo ver o cachorro louco indo embora, gesticulando e reclamando, como se estivesse coberto de razão. Outros cinco motoqueiros formam fila ao meu lado, esperando que eu arrume o retrovisor para poderem passar. “Fala sério”, reclama um deles, enquanto segue perigosamente pelo corredor, ameaçando a pintura da lataria alheia.

O trânsito segue a passos de formiga e sem vontade. O relógio parece ser a única coisa que corre cada vez mais rápido. Mesmo tendo saído cedo de casa, estou cada vez mais atrasado. O calor vai se enfurecendo, obrigando o ar condicionado a trabalhar cada vez mais. De repente, o trânsito estaca, deliberadamente, enquanto estou em pleno cruzamento! O carro da frente não anda; tento voltar para liberar a passagem, e o motorista de trás cola em mim para não deixar. Outro motorista tentando passar pelo cruzamento encosta na minha lateral. Todos eles buzinam nervosamente para mim, sem se tocar de que não estão dando passagem para que eu saia dali.

Não sei onde fica o inferno, mas com certeza tem trânsito por lá.

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Já vi melhores, inclusive no mesmo lugar. Este é o comentário que me ocorre sobre o show do Pearl Jam, que rolou no último sábado no estádio do Pacaembu.

Não que eu não tenha gostado, foi legal à beça; mas para quem já viu, naquele mesmo lugar, Angra, Dr. Sin, Black Sabbath, Kiss, Alice Cooper, Ozzy Osbourne, Megadeth e Bon Jovi, sem citar outros, fica difícil se impressionar com o Pearl Jam. O som estava embolado, os arranjos confusos, e o Eddie Vedder está longe de ser o vocalista mais impressionante que eu já vi. Galera, eu já assisti performances de David Coverdale, Geoff Tate, Klaus Meine, Paul Stanley, John Bon Jovi. Que chance teria o pobre Eddie Vedder diante desses caras?

Mas tá bom, vai todo mundo dizer que eu sou louco se eu disser que não gostei do show, então eu digo: o show foi legal pra caramba. Curti muito cantar Even Flow, Jeremy, Alive, além de “I believe in miracles”, dos Ramones, e “Rockin´ in the Free World”, do Neil Young, que fechou o show. Foi bem legal, apesar de não entrar para a minha história como o maior show que já assisti. E ponto.

terça-feira, novembro 29, 2005

Vale a pena conferir: há alguns instantes, o Kibe Loco publicou o vídeo que mostra o Netinho sentando a mão no repórter vesgo do pânico. Para poder opinar adequadamente sobre o caso, fui assistir ao vídeo na mesma hora.

Eu esperava algum tipo de brincadeira sem graça, algum abuso de liberdade, ao menos uma insistente forçada de barra. Qual não foi a minha surpresa ao ver Jonetinho Sem Noção partir para a ignorância de primeira, perante algo que poderíamos classificar como “piada de escritório”, algo que a própria Casseta & Planeta não faria muito diferente. Realmente, ele não sabe brincar.

Agora, me respondam: como pode uma pessoa que não agüenta com brincadeiras desse tipo chegar ao estrelato, e até inaugurar um canal de televisão? É esse o cara que tantos cultuam? Pelo menos no mundo onde eu vivo, pessoas com tal falta de senso de humor não vão muito longe...

Pode parecer reacionário da minha parte, mas eu concordo com esta notícia. Concordo com a iniciativa dos Emirados Árabes em instituir tratamento hormonal para os homossexuais. Eu sugeriria, ainda, que o tratamento fosse acompanhado de fortes doses de Playboy TV, leituras forçadas da revista VIP e dieta à base de cerveja e churrasco.

Mas falando sério: quem sabe essa iniciativa não prova a minha tese, de que “homossexualismo não é questão de aceitação, e sim de tratamento”.

Um post previsível: sim, eu fui assistir “Harry Potter e o Cálice de Fogo”, e no dia da estréia. E sim, eu vou esboçar agora uma resenha a respeito:

Talvez não se justifique a alegação de que Mike Newell, diretor de “O Cálice de Fogo”, teria gasto um orçamento maior do que os três capítulos de “O Senhor dos Anéis” juntos. Mesmo assim, a nova aventura cinematográfica de Harry Potter é de encher os olhos daqueles que curtem bons efeitos visuais. O duelo com o dragão, como já era de se esperar, é uma das sequências mais emocionantes e bem feitas do filme, mas as outras etapas do Torneiro Tribruxo também não deixam a dever. A chegada do navio da escola Durmstrang, emergindo no meio do lago, também é bem impressionante.

Entretanto, se há uma ressalva a fazer, talvez seja para o retorno de Você-Sabe-Quem, Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado, o todo-poderoso e maléfico Lord Voldemort. Pessoalmente, esperava algo mais aterrador, um senhor das trevas de olhos vermelhos emergindo de um caldeirão fumegante. Mas considerando o público infanto-juvenil da obra, o renascimento em meio a um cemitério já é macabro o suficiente. Minha namorada, inclusive, mencionou que não se encoraja a levar seus alunos de ginásio para verem o filme.

De qualquer forma, “Harry Potter e o Cálice de Fogo” é de todos o mais fiel à sua versão literária, e o que menos deixa pontas soltas na trama. E o melhor, não tem as “liberdades de linguagem” das quais Alfonso Cuarón lançou mão (entenda-se “abusou”) para filmar “O Prisioneiro de Azkaban”, um filme que deixou muito por explicar e peca pela liberdade de mostrar, por exemplo, os alunos de Hogwarts sem seus tradicionais uniformes.

E no mesmo dia, ganhei de presente o novíssimo “Harry Potter e o enigma do príncipe”, do qual já li as primeiras páginas. Não poderia ter sido melhor para encerrar um fim-de-semana cheio de magia. Prefiro não dizer muito por enquanto, mas parece que a expectativa pela continuação da saga não deixará a desejar.

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